A história da Avenida João XXIII se confunde com o próprio desenvolvimento da Vila Formosa, um dos bairros mais tradicionais de São Paulo.
Hoje, conhecida pelo comércio diversificado, pelo fluxo intenso de ônibus e pelo papel de eixo viário fundamental (o corredor conecta São Mateus, Aricanduva e Vila Formosa com outros bairros da Zona Leste e com a região central), a avenida nem sempre teve a aparência urbana e o tráfego que apresenta atualmente.
Sua trajetória se inicia ainda nas primeiras décadas do século XX, quando a região dava seus passos iniciais rumo à urbanização. Originalmente, o trecho que viria a se tornar a João XXIII era parte de antigas estradas abertas por imigrantes e agricultores que ocupavam o território, então formado por chácaras e pequenas propriedades rurais.
A Vila Formosa começou a despontar como loteamento a partir dos anos 1920 e 1930, impulsionada por famílias italianas e portuguesas que buscavam novas oportunidades na expansão da capital. O caminho, ainda de terra batida, servia principalmente para o escoamento da produção agrícola e para a conexão com bairros vizinhos, em especial com o Tatuapé, que já apresentava maior estrutura.
Homenagem ao Papa
A oficialização da avenida ocorreu somente décadas depois, acompanhando o processo de consolidação urbana da região. Com o crescimento populacional no pós-guerra e a ocupação mais intensa dos terrenos, o antigo caminho começou a ser retificado, iluminado e parcialmente asfaltado.
Foi nesse período, entre os anos 1950 e 1960, que recebeu o nome de João XXIII, em homenagem ao Papa considerado símbolo de renovação e diálogo. Para muitos moradores antigos, a escolha do nome representava também um momento de esperança: a avenida deixava de ser apenas passagem e se tornava um espaço de convivência comunitária.
A partir dos anos 1970, a avenida João XXIII assumiu o papel de eixo importante da Vila Formosa. Pequenos comércios começaram a se instalar, como padarias, mercearias, lojas de materiais de construção e oficinas mecânicas. Esses estabelecimentos não só atendiam aos moradores locais, mas ajudavam a consolidar a avenida como polo econômico.
A oferta de linhas de ônibus seguiu o mesmo ritmo, transformando o corredor em referência de mobilidade para quem precisava se deslocar pela zona leste.
A década de 1990 marcou uma nova fase de modernização: o comércio ganhou porte, a iluminação pública foi reforçada e o trânsito se intensificou. Já nos anos 2000, a João XXIII se consolidou como uma das principais rotas alternativas entre Vila Formosa, Carrão, Aricanduva e Tatuapé, absorvendo parte do fluxo que antes se concentrava apenas nas avenidas maiores da região.
Hoje, a Avenida João XXIII mantém viva sua vocação histórica: ser uma via que une, conecta e impulsiona. Ao mesmo tempo em que abriga comerciantes tradicionais que estão ali há gerações, também se adapta às novas demandas urbanas, com serviços modernos e espaços que refletem o dinamismo da zona leste.
Sua trajetória, marcada por trabalho, migrações, fé e desenvolvimento, mostra que algumas ruas são caminhos, que ligam o passado e o futuro nas transformações de um bairro e das histórias de quem o tornam um lar para seus habitantes e trabalhadores.
Reportagem: Fernando Aires. Foto: Rogerio Moura.
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