Advogado e especialista em segurança pública pelo Centro de Altos Estudos de Segurança da Polícia Militar do Estado de São Paulo (CAES), Wilson Rossi atua na liderança de conselhos comunitários e na advocacia. Atualmente, é presidente do Comitê Regional dos CONSEG (CPA-M11) e vice-Presidente da Comissão de Segurança Pública da OAB/SP – Subseção Tatuapé.
Como presidente do Conseg Vila Formosa, Rossi responde perguntas da redação sobre segurança e comunidade.
Senhor Wilson Rossi, como você descreveria a missão e o papel do Conseg Vila Formosa na comunidade da Zona Leste de São Paulo?
Wilson de Paiva Rossi: O CONSEG é, antes de tudo, uma ponte de diálogo e resolução. Nossa missão é estreitar o laço entre a comunidade e as forças de segurança. O papel do Conseg Vila Formosa é traduzir a sensação de insegurança e os problemas pontuais do bairro em dados reais para que as autoridades possam planejar suas ações. Não somos polícia, mas somos os olhos e ouvidos das instituições na ponta, garantindo que a segurança pública seja uma construção participativa.
Quais são os principais desafios de segurança que os moradores enfrentam hoje em Vila Formosa, e como o Conseg tem atuado para enfrentá-los? Enfrentamos desafios comuns à grande metrópole, como furtos, roubos e a questão da perturbação do sossego. O Conseg atua mapeando essas situações e levando as demandas diretamente a quem resolve. Hoje, temos uma parceria operacional excelente com o Capitão da 6ª Cia do 21º BPM/M, com o Delegado Titular do 58º DP e com o lnspetor de Divisão da Inspetoria de Aricanduva / Vila Formosa – IR-AF (GCM).
Eles participam ativamente e ouvem a comunidade. Com base nesses relatos, conseguimos uma ação completa: a Polícia Militar direciona o policiamento ostensivo, a Polícia Civil aprofunda as investigações para identificar e prender os autores dos crimes, e a GCM atua não apenas na fiscalização, mas integra a segurança pública, auxiliando no patrulhamento preventivo e dando suporte às outras forças. É um trabalho conjunto de inteligência e ação.
Como a sua atuação como vice-presidente da Comissão de Segurança Pública da OAB Tatuapé complementa o trabalho no Conseg? Há projetos integrados entre as duas entidades? A advocacia me dá a base técnica para entender os limites e as possibilidades da atuação estatal. A atuação na vice-presidência da Comissão de Segurança Pública da OAB Tatuapé fortalece o Conseg ao trazer o peso institucional da Ordem dos Advogados do Brasil para as discussões. Isso assegura que as demandas da comunidade sejam encaminhadas dentro da estrita legalidade. A integração se concretiza na promoção de debates qualificados e no suporte jurídico às ações comunitárias.
Você acredita que a articulação entre sociedade civil, órgãos de segurança pública e o Poder Judiciário está avançando? Quais são os pontos que ainda precisam melhorar? A articulação com os órgãos do Executivo e a sociedade civil avançou muito. No Conseg Vila Formosa, entendemos que a segurança depende da integração de todas as instituições que compõem a nossa mesa: Polícias Civil e Militar, GCM, CET, OAB e, fundamentalmente, a Subprefeitura. Quero enfatizar a importância da Subprefeitura na zeladoria, pois trabalhamos com o conceito da “Teoria das Janelas Quebradas”. A lógica é técnica: a desordem urbana gera criminalidade. Portanto, quando a Subprefeitura realiza uma poda de árvore ou melhora a iluminação, ela está fazendo Segurança Pública Preventiva.
Porém, em relação ao Poder Judiciário, preciso ser realista: ainda não conseguimos avanços significativos. A aproximação com juízes e promotores para que entendam a dinâmica da ponta ainda é um grande desafio. Mas estamos no caminho e trabalhando incansavelmente para que essa articulação seja feita.
Quais iniciativas ou programas de segurança pública implementados recentemente você destacaria como mais eficazes na sua região? Destaco o fortalecimento do programa Vizinhança Solidária. Onde ele é implantado corretamente, com a tutela da Polícia Militar e engajamento real dos vizinhos, cria-se uma rede de proteção mútua muito forte.
Além disso, estamos buscando diálogo junto à Subprefeitura AFC (Aricanduva, Formosa e Carrão) para implementar no bairro de Vila Formosa a Operação Delegada. Entendemos que essa iniciativa será fundamental para contribuir com o reforço do policiamento e a organização do espaço público na nossa região.
Como o Conseg Vila Formosa envolve os moradores e comerciantes locais nas ações de prevenção e na construção de políticas de segurança? O envolvimento acontece na base da visita e do diálogo constante. Não ficamos esperando as pessoas virem até nós; nós vamos até elas. Além do contato com moradores e comerciantes, estamos intensificando as visitas aos condomínios, contatando diretamente os síndicos, e também às escolas particulares, estaduais e municipais, conversando com os diretores para que participem ativamente do CONSEG. Queremos todos esses líderes comunitários presentes na reunião. O objetivo principal é que eles tenham um entendimento claro da importância da realização do boletim de ocorrência, de quando ligar para o 190 (Polícia Militar) ou utilizar o 156 (Canal de atendimento da Prefeitura de São Paulo), além de poderem esclarecer outras dúvidas diretamente com as autoridades. Quando a comunidade percebe que a demanda trazida gera uma ação concreta — seja uma viatura na porta, uma poda de árvore, melhoria na iluminação, limpeza de praças e parques, eliminação de pontos viciados de descarte de entulho, recapeamento ou a colocação de redutores de velocidade — a confiança aumenta e a participação se consolida.
A tecnologia e ferramentas digitais são utilizadas nas ações do Conseg? Com que resultados? Sim, a tecnologia é indispensável. Utilizamos grupos de WhatsApp setorizados para alertas rápidos, mas estamos focados na transição para ferramentas inteligentes. Apoiamos e incentivamos a expansão do Smart Sampa (Prefeitura) e do Muralha Paulista (Governo do Estado). Esses sistemas integram câmeras e bancos de dados, permitindo uma ação policial muito mais assertiva e baseada em inteligência.
Quais são as principais demandas que você leva às autoridades de segurança pública em nome da comunidade? As demandas principais são sempre o aumento da visibilidade do policiamento e o combate aos roubos e furtos. A resposta concreta que temos é a sintonia fina com os comandos locais que mencionei. O compromisso diário do Capitão, do Delegado e do Inspetor em executar o planejamento baseado no que levamos às reuniões tem sido a nossa maior conquista.
Na sua opinião, de que forma os cidadãos podem contribuir de maneira mais efetiva para a segurança de seus bairros sem ultrapassar os limites legais e garantindo direitos? A contribuição efetiva tem três pilares inegociáveis: o registro oficial, a presença local e a consciência política. Primeiro, o cidadão deve fazer o Boletim de Ocorrência (BO) em absolutamente todas as ocorrências. A Polícia Civil investiga, e sem o registro de ocorrência ela não consegue saber sobre o crime para realizar a investigação. Além disso, tanto a Polícia Militar quanto a GCM utilizam esses mesmos dados para elaborar suas estratégias de patrulhamento preventivo. Segundo, é preciso participar presencialmente das reuniões do Conseg. Segurança não se faz apenas reclamando na internet. Por fim, o cidadão deve praticar sua cidadania pelo voto. É dever de todos acompanhar o mandato de seus candidatos e cobrá-los incansavelmente por mudanças nas legislações que importem na melhoria da segurança em seus bairros.
O que a população pode esperar do Conseg Vila Formosa e da Comissão de Segurança Pública da OAB Tatuapé para os próximos meses? Podem esperar uma gestão de portas abertas, transparente e muito técnica. Como Presidente também do Comitê Regional dos Conseg – CPA/M11, meu objetivo é padronizar as boas práticas entre os CONSEGs da região. Pela Comissão de Segurança Pública – OAB Tatuapé e Conseg Vila Formosa, vamos intensificar as ações educativas e preventivas, fortalecendo a ideia de que a segurança pública é dever do Estado, mas responsabilidade de todos nós.
Para saber mais, acesse o Instagram @consegvlformosa e @wilsonrossi.
Reportagem: Fernando Aires. Foto: Divulgação.
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