O Parque do Ceret, um dos principais espaços de lazer e prática esportiva da Zona Leste de São Paulo, tem sido alvo de reclamações constantes por parte de frequentadores.
Em meio a obras, visitantes relatam transtornos causados pela piscina fechada há meses, equipamentos de ginástica deteriorados e bebedouros que não funcionam corretamente – problemas que, segundo usuários, comprometem a experiência no local, especialmente durante os dias de calor intenso.
A piscina do parque, por exemplo, que é a maior da América Latina, com mais de 5 milhões de metros cúbicos, permanece interditada sem uma data clara de reabertura. Em pleno verão, o fechamento tem frustrado moradores da região que costumam usar o espaço para recreação e atividades físicas.
“Muita gente vem até aqui justamente por causa da piscina. Com esse calor, faz muita falta”, comentou um frequentador que caminhava pelo parque na manhã de sábado, dia 7/02.
Em 2025, as obras de revitalização da piscina ficaram paralisadas. Segundo documentos públicos da própria gestão municipal, o Consórcio Ceret, formado pelas construtoras Progredir Ltda e Lettieri Cordaro Ltda, enviou um ofício para a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer informando a paralisação, justamente pela falta de recursos financeiros por parte da pasta.
De acordo com dados da secretaria, desde setembro de 2024, fora pago às empresas contratadas a quantia de R$ 2,3 milhões para a execução da reforma.
O montante significava menos de 7% do total que a pasta precisava repassar às empresas para que a obra fosse concluída. Em razão disso, as construtoras retiram operários do local na época. Atualmente, em janeiro de 2026, a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer anunciou que 60% das obras estão concluídas e que a previsão de entrega é “provavelmente” para o mês de março.
Outras áreas “abandonadas”
Além da área aquática, a reportagem constatou problemas em equipamentos destinados à prática de exercícios ao ar livre. Barras metálicas apresentam pintura desgastada e partes expostas, o que aumenta o risco de ferrugem e algumas estruturas aparentam estar incompletas, com peças ausentes.
Antes disso, dois professores de calistenia que utilizam o parque para treinar alunos relataram dificuldades para realizar as aulas. Segundo eles, a precariedade dos aparelhos limita os exercícios e pode representar perigo para quem tenta utilizá-los.
“Alguns pontos estão descascados, outros parecem soltos. Assim fica complicado trabalhar com segurança”, afirmou um dos instrutores.
Um dos frequentadores e praticante de calistenia, afirma: “esses problemas já estão [no parque] faz um tempão. A gente até queria colocar pedrinhas, porque tem um lugar que fica cheio de barro, tem muito idoso que caminha por ali e aí quando chove, o local fica sem condições das pessoas fazerem exercício. Tem também uma barra que está para ser arrumada e que quebrou faz muito tempo e ninguém arruma. A gente mesmo, mandou mensagem para o administrador do Parque, falando que faremos uma vaquinha para colocar as pedras lá, mas nem resposta a gente teve. Eu mesmo treino nesse parque há anos, porque eu disputo o Campeonato Brasileiro, o Campeonato Paulista de Calistenia e uso o parque para treinar, mas ultimamente tá muito complicado”.
Danilo Morgan, professor de Calistenia, também reforça a falta de reforma e troca de aparelhos quebrados: “Há meses, dois aparelhos encontram-se danificados, sendo que um deles quebrou durante a prática de um frequentador. Inúmeros pedidos e reclamações foram negligenciados desde então. Parece que há uma área na região sul do parque, próximo às quadras, em que um barranco desmoronou com as chuvas e assim, permanece. A poda da grama veio ocorrer essa semana, fora isso havia pelo menos dois a três meses sem manutenção prévia. Os banheiros não são limpos adequadamente, dentre outras reclamações“.
Outro ponto criticado por usuários são os bebedouros espalhados pelo parque. Este repórter sentiu na pele o que é ter sede, encontrar a torneira, mas ao apertar o botão, nada sai. Evidentemente, não são todos os bebedouros, um logo à frente tinha água, um pequeno fio, mas tinha.
Ou seja, em alguns deles, a água simplesmente não sai; em outros, a pressão é tão baixa que dificulta o uso, especialmente para quem está se exercitando e precisa se hidratar. Corredores e caminhantes reclamam que precisam levar garrafas próprias ou procurar alternativas fora do parque. “Depois de correr, a gente vai até o bebedouro e não tem água. Isso é básico, né?”, disse uma frequentadora.
Para os usuários, embora as reformas sejam necessárias, a sensação é de que problemas antigos continuam sem solução. Eles pedem mais transparência sobre os prazos das obras e intervenções emergenciais para garantir condições mínimas de uso enquanto a revitalização não é concluída. “O parque é ótimo, muito arborizado, cheio de gente que gosta de se exercitar. Só precisa de mais cuidado”, resumiu um morador da região.
Procurada, a administração do Parque não se manifestou a respeito dos equipamentos quebrados, nem dos bebedouros cuja pressão é nula ou ineficiente. Enquanto isso, quem depende do CERET para lazer e atividade física segue aguardando melhorias.
Reportagem: Fernando Aires. Foto: Divulgação.
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