O local já abrigou um circo. Por algum tempo, quando as lonas baixaram, houve a possibilidade de uma obra voltada à moradia popular no local. Hoje, sabe-se que a área será utilizada pela Sabesp, contudo, parte da população do bairro pediu por muito tempo a instalação de um hospital e maternidade para atender a demanda da região da Subprefeitura Aricanduva, Formosa e Carrão.
Ambas as destinações seriam nobres e de grande utilidade pública, fosse moradia popular ou unidade de saúde. Trata-se de um terreno público, de cerca de 19 mil metros quadrados, localizado em frente ao Shopping Anália Franco. Desde que o circo foi embora, a situação da área (que a prefeitura chegou à cogitar destinar à Cohab) tem sido motivo de intensas discussões entre moradores, autoridades municipais e movimentos comunitários.
Enquanto a gestão municipal articula a destinação da área para projetos públicos e serviços essenciais ao entorno urbano, principalmente relacionados ao abastecimento de água e infraestrutura por meio da Sabesp, parte da comunidade defende uma outra prioridade: a construção de um hospital público com maternidade no local.
Moradores da área lembram que a região administrada pela Subprefeitura de Aricanduva, Vila Formosa e Carrão – bastante populosa e com crescimento demográfico constante — carece de um equipamento de saúde de grande porte que atenda às demandas de média e alta complexidade. Sem um hospital municipal na região, pacientes dependem de deslocamentos para outras áreas da cidade para tratamentos e internações.
A reivindicação ganhou visibilidade após a publicação da reportagem no portal G1, em janeiro do ano passado, na qual se destacou a disputa sobre a melhor utilização do terreno e as cobranças pela instalação de um centro de saúde capaz de atender as necessidades da população local.
Declaração em vídeo
Em um vídeo recente compartilhado em redes sociais, o presidente do Conseg Tatuapé, Guilherme Gonzales, destacou que a área não será destinada à habitação social ou outros usos imediatos nos próximos anos – como se propagava. Segundo Gonzales, por enquanto o espaço será utilizado pela Sabesp por um período de dois a três anos, em obras que ainda estão em início – o que pode adiar decisões sobre projetos de longo prazo, como a implantação de um hospital público:
“Eu estou aqui agora, naquele terreno, em frente ao Shopping Anália Franco, aquele terreno que o pessoal tá, com aquela dúvida, se vai ser prédio, não vai ser prédio; não pessoal, eu vim aqui confirmar a informação que me passaram, a informação que eu tenho inclusive lá da Subprefeitura, com o nosso subprefeito Rafael Meira, com o Robert, o governo local, que essa área vai ser usada pela Sabesp, por pelo menos de 2 a 3 anos. Então aqui, no terreno em frente ao Shopping Anália Franco, não vai ser construído nada por enquanto, tá? Ele vai ser usado pela Sabesp, como um terreno de apoio da Sabesp, então, por enquanto, nada de CDHU, nada de habitação aqui em frente ao Shopping Anália Franco”.
Questionado se havia qualquer impeditivo quanto à construção de uma obra, fosse da CDHU ou da COHAB, o presidente do Conseg Tatuapé não respondeu. Bem como a Subprefeitura Aricanduva, Formosa e Carrão também não deu qualquer outra informação a respeito do motivo para a utilização do local pela Sabesp ou mesmo sobre a reivindicação do Hospital, que é até certo ponto também plausível.
A expectativa de moradores agora se volta para um diálogo com a Prefeitura e conselhos comunitários, na tentativa de obter a instalação deste equipamento de saúde pública em outro local, para que atenda a um dos maiores déficits sentidos pela comunidade há anos.
Quanto à moradia popular, existem na capital inúmeros outros espaços públicos que bem poderiam ser ocupados pelo povo, que merece um teto para se abrigar. Afinal, na Constituição, o princípio dos Direitos Fundamentais, dentre eles a igualdade que abrange o direito à vida, à liberdade, à segurança e, claro, à propriedade.
Vale a pena sempre manter essa possibilidade em aberto, seja no Anália Franco ou em qualquer outro lugar.
Reportagem: Fernando Aires. Foto: Renato Santana.
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