No dia 25 de abril, Itaquera recebeu no CEU Rei Pelé, mais uma edição do projeto Câmara na Rua, iniciativa da Câmara Municipal que leva vereadores e equipes técnicas diretamente aos bairros para conversar com lideranças locais e moradores.
Os participantes também puderam visitar uma feira interativa montada no local, com estandes que apresentaram diferentes setores da Câmara Municipal, como a Escola do Parlamento, Ouvidoria, Biblioteca, Comissões e a Procuradoria da Mulher.
Início do encontro
A sessão foi conduzida pela vereadora dra. Sandra Tadeu (PL), que reforçou o caráter participativo da iniciativa: “Isso é muito importante, você tem a oportunidade, ao vivo, de conversar com as autoridades presentes sobre as suas reivindicações. Hoje é um pouco diferente, não é o vereador que vai até o seu bairro, é a Câmara inteira que está lá”, afirma.
O subprefeito de Itaquera, Rafael Limonta, também presente, ressaltou a importância da parceria entre população, Legislativo e o Executivo: “Acho que é um evento de extrema importância para a cidade e tem que ser mantido. Viemos aqui para escutar as demandas da população e atendê-las”, disse o subprefeito.
Representando o CEU, José Cláudio Pereira Martins destacou o engajamento dos participantes e o espaço aberto: “Todos tiveram voz e o protagonismo que o Câmara na Rua proporciona, o que traz inúmeras melhorias para a população e a nossa comunidade”, destacou.
Mais salas de EJA
Viviane Laverti foi a primeira moradora a fazer uso do microfone, pediu mais salas de EJA (Educação de Jovens e Adultos) para atender a demanda de mais de 60 mil idosos analfabetos: “Eu sou da Mooca, e vim aqui para solicitar mais salas de EJA em períodos da manhã e da tarde em São Paulo, e, em maiores números na capital. Eu fui professora e já dei aula no EJA. Ocorre que, na cidade de São Paulo, de acordo com o IBGE 2022, existem mais de 1,7 milhão de pessoas idosas, com idades acima de 60 anos, sendo entre elas a taxa de analfabetismo de 8%. São 68 mil idosos analfabetos. Nos últimos 4 anos, mais de 300 turmas de EJA foram fechadas. Seria ótimo a abertura de mais salas em períodos durante o dia”, disse Viviane.
Reforma de calçadas e do Terminal Cid. Tiradentes
A técnica-pedagoga Camila Jesus Barros, do Centro Dia para Idosos de Cidade Tiradentes, solicitou melhorias para as calçadas da região na Zona Leste: “Muitos dos idosos têm caído pelas ruas devido aos buracos, calçadas desniveladas, e sofrem quedas devido a essas irregularidades”. Camila também abordou outro tema: “Pedimos ainda melhoria no terminal da Cidade Tiradentes, que está com vazamentos de esgoto.”
Mais moradias populares
Sebastião Gonçalves solicitou mais moradias para idosos de baixa renda em situação de vulnerabilidade: “A cidade mais rica do país, não consegue resolver essas questões. Em São Paulo, o número de unidades sociais é limitado, com apenas 903 unidades em seis empreendimentos, destinados à idosos de baixa renda. Gostaria muito que o Programa ‘Aluguel Social’ fosse ampliado, contemplando unidades sociais em maior número e com aluguéis mais acessíveis na capital”.
Transporte público
Maria de Lourdes pediu a melhoria de serviços no transporte público no extremo leste, cuja espera pelo coletivo é longa: “Eu moro em Guaianases, e nós, idosos, chegamos a esperar em média 30 minutos no ponto ali no bairro. Quando passa o ônibus, os veículos chegam lotados, um atrás do outro, sem espaço nem para subir. Na minha rua, passa o ônibus que vai para Itaquera, que é o “2027-03 / Jd. Etelvina”. Eu espero em média 40 minutos até que o ônibus chegue. Antes, passavam peruas o tempo todo, de 7 em 7 minutos, que ajudaram bastante, mas elas foram tiradas de circulação. Outro ônibus que demora o mesmo tempo, é o “2059 – São Miguel”. Mesmo eu sendo aposentada, às vezes saio de casa. Como faço?”
Saúde
Ada Regina, de 84 anos, moradora da Mooca, por sua vez, reivindicou maior estrutura de saúde no bairro: “Nós somos o segundo bairro com mais idosos da capital. Há demanda de saúde! As filas são inúmeras e muita gente sofre quando não morre à espera de um atendimento. É preciso que sejam regularizadas parcerias e que haja a diminuição de filas, principalmente nos atendimentos de pronto-socorro”.
Lazer
Carmem Rosa Cervantes acredita que faltam equipamentos de ginástica e exercícios em São Paulo: “Estamos precisando de mais equipamentos de ginástica e lazer em parques e praças da região. Os poucos existentes quase não é possível se exercitar”.
Acolhimento
Celina Alves dos Santos reivindicou um centro de acolhida para idosos abandonados: “Eu trabalho na área da Saúde e já conheço 30 casos de abandono de idosos, só na Zona Leste da Capital. Lá em São Mateus, pleiteamos uma ILPI grau 2, ou seja, uma Instituição de Longa Permanência para Idosos de Grau 2, acolhe idosos com dependência em até três atividades de autocuidado diário, tais como alimentação, mobilidade e higiene.”
Hospital Planalto e CEU Jambeiro
Dinaersi Marques pediu a abertura urgente do CEU Jambeiro e uma melhor estrutura para o Hospital Planalto: “Lá em Guaianases e região, estamos precisando do Ceu Jambeiro. Eu frequentei lá por 8 anos e eu tenho nervo ciático inflamado, tem uma senhora que também ia lá, de 93 anos, e muitos outros idosos que utilizam o CEU para tratamento de saúde com as atividades. Eu cobro o mais rápido possível, a gente vê as piscinas fechadas, o material gasto, tudo com dinheiro público e tá tudo parado. E ainda acham ruim a gente perguntar. Outra coisa, porque o hospital Planalto fechou o Pronto-Socorro? Eu mesmo passei mal, me levaram ao Planalto e chegando lá, me puseram numa maca e nem sequer mediram a minha pressão”.
Nesse momento, a vereadora pediu a palavra e comentou: “Na verdade, o Hospital Planalto não fechou o PS, é que o PS só atende casos encaminhados pela UPA. O certo, seria o resgate levar a senhora até a UPA, mas não justifica o Hospital Planalto não prestar atendimento, ainda mais sendo uma emergência. Eu mesma tomarei providências quanto a isso”, concluiu a vereadora.
O encontro com os moradores e autoridades, levou 60 participantes à tribuna, sendo a maioria idosos que levantaram questões relacionadas à saúde, mobilidade urbana, habitação, educação e segurança como as apresentadas acima.
O próximo Câmara na Rua está marcado para o dia 23 de maio, às 9h, no CEU Três Pontes, na Vila Curuçá, à rua Capachós, S/N – Jardim Celia.
Reportagem: Fernando Aires. Foto: Divulgação.
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