sexta-feira, 12 de junho de 2026

Reclamação de barulho provoca confusão em bar na Vila Formosa

Uma discussão envolvendo uma moradora e frequentadores de um bar na Vila Formosa, na Zona Leste de São Paulo, terminou em agressão e deixou uma mulher ferida. O caso ocorreu após uma série de reclamações relacionadas ao barulho gerado pelo estabelecimento durante a madrugada.

Adriana, que mora na rua há um ano e quatro meses, relata que os ruídos provocados pelo funcionamento do bar e pela permanência de clientes na calçada se tornaram recorrentes. Segundo ela, as comemorações de Ano Novo, que teriam se estendido até aproximadamente 3h da manhã do dia 1º de janeiro, motivaram o registro de um boletim de ocorrência por perturbação do sossego.

Apesar dos transtornos, Adriana afirma que manteve uma relação cordial com Ivanira, proprietária do estabelecimento. De acordo com a moradora, as duas chegaram a conversar sobre os problemas causados pelo barulho e, na ocasião, Ivanira teria demonstrado compreensão e disposição para colaborar na busca de soluções.

O relacionamento, no entanto, se desgastou após uma nova reclamação. 

“Ela começou a colocar os clientes contra mim. Falava mal de mim para eles, que começaram a pegar bronca minha. Eu cansei de vê-los olhando para a minha sacada, apontando para minha casa, dando risada alta, como se fizessem de propósito. De tanto barulho, eu ia dormir no meu carro, no frio, até que quando o bar fechasse, meu filho vinha me avisar para voltar para casa”, afirma Adriana.

“Eu sinto muito pelo que ela sofreu e jamais quis que a situação chegasse a esse ponto. Aqui na rua eu me entendo com todos os vizinhos, o bar está aqui há 15 anos. Ela acredita que estou fazendo de propósito e não estou. Eu abro o bar às 10h e fecho entre 23h30 e 1h. Eu peço às pessoas que controlem conversas e risos, mas não tenho controle sobre elas e nem posso mandá-las embora”, afirma Ivanira. 

A briga
Segundo Adriana, ao procurar o estabelecimento para solicitar que o volume das conversas e demais ruídos fosse reduzido, ela teria sido agredida por duas pessoas que estavam sentadas em cadeiras em frente ao local. A moradora sofreu uma fratura na vértebra L4 e uma fratura de rádio distal. Conforme seu relato, as lesões provocam dores ao respirar e limitam os movimentos da mão direita.

Ivanira afirma que não presenciou o episódio. Segundo a comerciante, ela estava na cidade de Assis, no interior paulista, acompanhando a filha, que se encontrava em trabalho de parto. A proprietária lamentou o ocorrido e declarou que, caso estivesse no estabelecimento no momento da confusão, teria tentado impedir que a situação chegasse ao ponto da agressão.

“Ela disse que sou desequilibrada, que saio na rua de roupão para procurar briga. Eu só pedi, gentilmente, para que não fizessem barulho, eu estava com muita dor de cabeça e precisava descansar. Eu sou mediadora de paz, eu não quero brigar com ninguém, mas entendo que tenho meus direitos, principalmente o de descansar sossegadamente. Contudo, acabei sendo agredida de forma covarde por pedir a eles que me respeitassem”, relata Adriana. 

“Eu não estava por aqui. Eu estava em Assis, acompanhando minha filha que iria ganhar bebê. Eu lamento como isso aconteceu, mas segundo soube, ela quis cobrar silêncio de um casal que estava sentado na mesa, incomodou a mulher, apontando o celular para ela e querendo lhe filmar. O casal estava indo embora, quando ela provocou a mulher do meu cliente, que não se conteve e partiu para a agressão. Se estivesse aqui, teria impedido, lógico”, relata Ivanira. 

Segundo o advogado de dona Adriana, José Luiz Dread: “Por enquanto, estamos esperando a definição do próprio inquérito policial, que ainda é muito novo e a gente precisa entender, qual é a linha investigativa da polícia para encontrar os agressores, porque nós temos algumas das características e alguns pontos já definidos. Uma coisa é a responsabilidade de alguém que tá dentro de um bar de terceiro, e a responsabilidade do próprio bar que, na minha opinião, é cível em relação a uma omissão, e não necessariamente com relação a agressão, porque nós não temos prova de que houve uma incitação do bar para atacá-la [Adriana]“. 

Adriana afirma estar traumatizada com a situação e pede justiça para o seu caso: “Eu não consigo sequer olhar pela janela da minha casa. Tenho medo do que possa me acontecer depois disso tudo. Eu fui educada desde o começo e acabei me prejudicando. Agora, espero Justiça não apenas para mim, mas para todos que se incomodam tanto quanto eu e sentem medo de se pronunciar.

A dona do bar também informou que ainda não constituiu advogado para eventual processo judicial relacionado ao caso. Ela afirma desejar conversar com Adriana e buscar uma solução amigável para o conflito. “Eu ainda não tenho advogado. Eu tenho a minha verdade e gostaria muito que a Adriana entendesse que eu nada tenho contra ela e não tenho nada a ver com essa briga. Quero que tudo seja resolvido de forma pacífica”, declarou.

O caso deverá seguir sob apuração das autoridades competentes, que irão analisar as circunstâncias da agressão e eventuais responsabilidades dos envolvidos.

Reportagem: Fernando Aires. Foto: Divulgação.

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