segunda-feira, 13 de julho de 2026

Documentários destacam importância dos migrantes na formação de São Paulo

No dia 20, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo  – IFSP (Campus São Miguel), recebeu o lançamento da série de documentários “Novos Personagens em Cena – Os migrantes que mudaram as políticas públicas na Cidade de São Paulo”. A produção e realização dos documentários é da Aramá Comunicação em parceria com a Rede Interação.

O intuito do projeto foi apresentar trajetórias de homens e mulheres que contribuíram para importantes avanços na garantia de direitos e no fortalecimento da participação da comunidade, por meio da atuação social. 

No total, cinco documentários foram produzidos, com quase uma hora cada, repletos de histórias e depoimentos de pessoas de várias partes do Brasil. São eles: “Periferia Grande em Pedra Pequena”; “Saúde Pública, Substantivo Feminino”, “Dias de Luta, Dias de Glória”; “Bichos na Praça: Arte e Revolução no Território” e “Os Melhores Trabalhadores do Mundo”.

Segundo o diretor de todos os filmes, Antonio Assis: “Esses cinco filmes contam a história dos Migrantes que chegaram na cidade de São Paulo nos anos 50, 60, 70 e particularmente depois dos anos 70, eles começaram a se organizar e lutar por direitos. Então, em vez de ficar reclamando, em vez de esperar ‘cair do céu’ as coisas, eles inovaram se organizando de forma autônoma, independente e provocando uma grande surpresa na política, despontando com uma organização legítima, autêntica e autônoma dos bairros”.

O lançamento
Na plateia, muitos destes “novos personagens” que estrearam nos filmes estavam ansiosos para verem seus rostos na telona. Mais do que isso, queriam ver expressa a sua mensagem através das câmeras para milhares de pessoas que em breve poderão assistir aos documentários e se inspirar em suas trajetórias. 

As produções abordam temas como saúde pública, cultura, trabalho, mobilização comunitária e desenvolvimento social, destacando personagens que ajudaram a construir políticas públicas mais inclusivas e representativas para diversas comunidades.

Dentre eles, estava Alcides Neto, que faz parte do Movimento de Moradia Popular há 42 anos. Alcides é natural do Espírito Santo e chegou em São Paulo no ano de 1977. Segundo ele: “Acho que faltam lideranças novas na capital. Eu comecei a me envolver com a questão da moradia popular em 84, através das bases eclesiásticas que tinham o Bispo Dom Angélico de São Bernardino, o padre Chicão e outros, como grandes referências de luta. Através deles nosso movimento ganhou força e abriu espaço para que a gente pudesse reivindicar tudo que precisávamos e ainda precisamos. Hoje, além da falta de lideranças jovens, temos muitos oportunistas, que se aproveitam do movimento para se erguerem na vida e depois vão morar lá no Tatuapé, por exemplo, que a gente brinca, é o bairro desses ‘emergentes’ que abandonam nossa terra, nossa gente e se esquecem das nossas lutas. Tem muita gente precisando de moradia e os avanços já conquistados, embora muito importantes, são apenas o começo”.

Durante o evento, um teaser apresentou trechos resumidos de todos os documentários. Cada obra traz relatos, experiências e reflexões que ajudam a compreender a diversidade cultural e humana presente na cidade, além dos desafios enfrentados por quem deixou sua terra de origem em busca de novas oportunidades.

Um deles, “Saúde Pública, Substantivo Feminino”, tinha na plateia uma de suas principais representantes: a mineira Elizabeth Andrade Ribeiro, de 80 anos, que foi uma das responsáveis pelo movimento em prol da Saúde Pública na capital: “O movimento de Saúde começou no fim dos anos 70 com grande força nos bairros. Os médicos sanitaristas que participavam com a gente, eram o dr. Eduardo Jorge, dr. Roberto Caldeira, dr. Carlos Neder e eles incentivaram a gente a criar os conselhos populares junto às unidades básicas de saúde. E onde não houvesse, nós organizamos o povo para formar uma unidade básica de Saúde. Bairro por bairro, nós conseguimos formar conselhos em toda Zona Leste, eu morava na periferia de São Mateus, na época. Nós formamos 80 conselhos de saúde, fizemos caravanas para cidade, para angariar junto ao governador ou aos prefeitos recursos para levantar as unidades básicas, quer dizer, graças a esse trabalho, que hoje nós temos as UBS, as AMAS, porque no meu tempo, nós não tínhamos tantos postos de saúde e a população sofria muito mais nas filas de espera dos hospitais públicos. Essa luta precisa contar hoje com a participação dos jovens, se amanhã quisermos ter ainda mais condições de tratamento, visto que mesmo diante de tantas conquistas, ainda há muito o que melhorar no sistema”.

Realizado com apoio de programas de incentivo à cultura do Governo do Estado de São Paulo, o projeto busca preservar histórias muitas vezes contadas apenas em pequenos grupos, valorizando trajetórias que ajudaram a moldar a realidade social da maior metrópole do país e que seguem inspirando novas gerações de lideranças comunitárias.

Um grande apoiador foi o deputado Estadual Simão Pedro (PT) que não poupou elogios: “Nós precisamos, sem dúvida de mais projetos como esses, que valorizem a cultura local. É através de projetos como esses documentários, que preservamos a história e aumentamos a conscientização em torno de tudo que a comunidade mais precisa. Aqui em São Miguel, por exemplo, outra luta antiga que estamos abraçando é a conquista de uma Casa de Cultura para o bairro, que em breve, esperamos realizar”, concluiu.

Exibição dos Filmes
Os documentários aguardam a liberação da ANCine, para serem veiculados via streamings e outros locais de exibição. No momento, algumas programações já estão agendadas. São elas:

“Bichos da Praça: Arte e Revolução no Território”
Dia: 26/06, às 19h, na Casa Amarela, à Rua Julião Pereira Machado, 7, São Miguel Paulista;

“Dias de Luta e Dias de Glória”
Dia 27/06, às 9h, e 26/07, às 9h, na Fazenda da Juta, na Travessa Jean Gabin, 432, em São Miguel Paulista;

“Saúde Pública, Substantivo Feminino”
Dia 10/07, às 14h, na Sede do Movimento Popular pela Saúde na Zona Leste, à rua Bruno Zaballa, 55 – Itaquera.  

Reportagem: Fernando Aires. Foto: Divulgação.

Para saber mais sobre outros conteúdos, clique aqui e acesse a home do nosso portal.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Search

siga-nos

Qual o principal problema no Estado de São Paulo, atualmente?

Ver resultados

Carregando ... Carregando ...
Categorias