Na rua Oswaldo Arouca, em Vila Formosa, reside um cachorro, chamado “Mancha”. O animal já conquistou o coração dos comerciantes que cuidam e o alimentam.
Todos os dias, por volta das 8h, o cão recepciona Luís, proprietário do Thib’s Lava Rápido, que chega para abrir o local. Quando o animal avista Luís ainda dobrando a esquina, corre ao seu encontro e o acompanha na abertura do estabelecimento. “Mancha” muitas vezes também aguarda Leandro, da Auto Peças, abrir seu estabelecimento pela manhã.
Após acompanhar Luís, “Mancha” encontra outros dois cães, “Lindinha” e “Nenguinho”, que dormem no Lava Rápido, e caminha até um terreno vizinho para fazer suas necessidades. O cão “Mancha” é um animal tranquilo, mas com extinto protetor. Das 9h30 às 11h30, o animal passa o tempo descansando, mas sempre atento ao movimento da rua.
Por volta de 12h, há um aumento de crianças na rua, já que os alunos de escolas da região seguem para o almoço. “Mancha”, como a maioria dos cães, fica muito agitado e late para as crianças, mas nunca houve qualquer tipo de ocorrência com o animal.
Próximo do horário do almoço, o cachorro atravessa muito calmamente a rua, que é bastante agitada. A tranquilidade do cão deixa muitos motoristas irritados, já que o trânsito precisa ser interrompido para a travessia calma do animal. “Mancha” se posiciona em frente ao Açougue do amigo Gerval e aguarda, pacientemente, o proprietário do comércio lhe oferecer ossos e carnes.
Assim alimentado, o cão descansa, geralmente no meio da passagem na calçada, no período das 13h as 17h, para iniciar sua jornada noturna, que é o seu ponto forte. Como um legítimo guarda noturno, ele fica atento a qualquer sinal de perigo na rua. Quando avista uma situação suspeita, batidas de carro por exemplo, late intensamente para alertar a vizinhança.
João, proprietário de um bar na rua, lembra de uma situação: “Um certo dia estava atendendo no balcão mas precisei me ausentar para ir ao banheiro. Como o local ficou sozinho ouvi o ‘Mancha’ latindo bastante. Quando saí, havia um rapaz suspeito dentro do bar, mas o latido do cão o assustou”, conta João.
Gerval, proprietário do tradicional Açougue na rua, conta uma passagem engraçada: “Após uma cirurgia, precisei fazer o uso de alguns medicamentos. Me distrai e vi o cão com minha sacola de remédios na boca. Estava sem poder andar direito, por conta da operação, mas mesmo assim, tive que correr atrás dele para recuperar os medicamentos. Hoje conto com alegria, pois adoro esse cachorro”, diz Gerval.
O cão gosta muito da liberdade, tanto que prefere não dormir em local fechado, pois fica sempre alerta com a movimentação noturna da rua.
Às vezes o cão desaparece uma semana da rua e retorna sujo. Geralmente se apaixona por alguma cadela na região e passa o tempo do cio com ela. Após o período ele retoma sua rotina na via.
Reportagem: Da redação. Foto: Rafael Lacorte Sebastião.






