Torcedores do Palmeiras, Corinthians e São Paulo que utilizam metrô sempre perderam os finais de jogos às quartas-feiras por conta do horário de fechamento. O metrô fecha às 24h e os jogos começam às 22h com encerramento às 24h.
Infelizmente isso sempre ocorreu devido ao fato de ser praticamente impossível negociar com a Globo, emissora oficial de transmissão de jogos, a alteração dos horários visando facilitar a vida dos torcedores.
A Globo, além de grande financiadora dos times de futebol no Brasil– antecipando cotas de transmissão para os clubes já afundados em dívidas –, não vê com bons olhos a alteração da grade de programação e, principalmente, de suas novelas.
Porém, o que mais frustra o ambiente político, é que ao invés de se lutar por mudanças no futebol ou mesmo na grade da emissora, recentemente o Governo de São Paulo resolveu ampliar o horário de funcionamento do metrô.
Infelizmente isso não vai acontecer para ajudar o cidadão trabalhador que precisa do horário ampliado há anos, mas sim, para ajudar o torcedor de futebol, de todos os clubes.
O estádio em Itaquera não é mais distante do que os bairros do Pacaembú, Morumbi e Barra Funda. Aliás, ele é bem próximo à estação de metrô Corinthians-Itaquera.
Essa decisão tomada aconteceu após torcedores do Corinthians não assistirem um último gol de um jogo no dia em que o time enfrentou o Bahia pela Copa do Brasil, numa quarta-feira, por terem ido embora mais cedo. Já os torcedores que ficaram no estádio perderam o acesso e logicamente a baldeação entre as linhas.
A grande imprensa e autoridades políticas deram grande ênfase para o fato, que já acontece há anos e já era rotina entre os torcedores de todos os clubes da capital, inclusive do próprio Corinthians.
Após o fato, uma comissão do clube marcou uma audiência no Palácio dos Bandeirantes para falar sobre o caso.
Contraditoriamente, o secretário dos transportes Jurandir Fernandes, concedeu à Ajorleste (Associação dos Jornais e Revistas de Bairro da Zona Leste) uma entrevista dizendo que o Governo não cederia à pressão, porque o fato geraria mais custo ao erário e o tempo de limpeza e manutenção do metrô seria mais curto do que já é, podendo prejudicar assim a utilização do transporte no dia seguinte. Essa entrevista você pode conferir na íntegra em nosso portal, www.spjornal.com.br.
Porém, esta ação do Governo de São Paulo, em ceder a esta comissão, onde também teve a participação de Andres Sanches – a quem coube o papel de informar à imprensa sobre a mudança –, é eleitoreira e mostra o quanto o futebol esta a cada dia mais similar a “política dos políticos” com jogos de interesses e manipulações.
Pensar nos torcedores é justo, porém, parece ser mais fácil mudar regras de bem comum do que se indispor com quem financia e controla o futebol no país há anos como é o caso da Rede Globo.
Foi assim na Copa, não é nenhuma grande surpresa isso acontecer agora.
Uma atitude como esta gera mais gastos aos cofres de São Paulo, e ao invés de se debater sobre a escassez de água, se debate sobre os torcedores de futebol, que estão muito abaixo da escala de importância política de um governo minimamente sério.






