quinta-feira, 30 de abril de 2026

Precisamos falar sobre Fábio Assunção

Precisamos falar sobre Fábio Assunção

Por Antonio Gelfusa Junior

Fábio Assunção sempre esteve envolvido com polêmicas nos últimos anos devido seu problema com dependência química. Por conta disso, o ator caiu no gosto popular com “memes” e piadas sempre que uma sexta-feira está próxima. As piadas são de tom para fazer alusão ao excesso de  bebida e falta de regras ao final de semana.

Gabriel Bartz lançou uma música que fala sobre esta situação. “Hoje vou ficar doidão, vou virar o Fabio Assunção”, além de outras passagens da canção. Após a repercussão que a música tomou, o ator, de maneira surpreendente, publicou um vídeo em suas redes sociais onde fala sobre o fato de ter uma música sobre seu comportamento como dependente químico. Nele, Fábio esclarece que 15% da população mundial  sofre com drogas e tudo que este tipo de vida desencadeia.

Ao mesmo tempo, o ator disse que em nenhum momento pediu para sua assessoria entrar em contato com o cantor e compositor no intuito de cercear a liberdade de expressão. Segundo ele, reconhece o quanto o artista no Brasil sofre com falta de incentivo e dificuldade de ocupação de seu espaço.

Por fim, após um esclarecimento pontual sobre todo o processo, Fábio Assunção deixou claro que a ideia é reverter 100% dos diretos autorais para instituições que ajudem a cuidar de dependentes químicos.

O brasileiro sempre brincou com tudo e parece que Fábio entendeu isso mais que muita gente por aí. O bom humor, as brincadeiras e até mesmo a “zoeira” como ele mesmo diz, é algo genuíno no brasileiro, mas, de maneira  muito inteligente e sensível, não quer deixar de aproveitar o debate para dar mais amplitude para algo que está presente nas mais diversas famílias, ricas ou pobres, seja qual for a cidade, seja qual for o país.

Talvez seja a primeira vez que alguém consegue, através do humor e da dor, juntar ambos para ganhar projeção e conscientizar a sociedade sobre este importante debate. Ao final, disse para as pessoas cuidarem de si, dos amigos na noite, reconhecendo também que eles [no caso ele mesmo e sua assessoria) não são super-heróis por conta da atitude.

A partir de hoje, toda vez que alguém sugerir ligar o “modo Fábio Assunção” será, sem dúvidas diferente. Mesmo sabendo da dor, mesmo sabendo do humor, há algo por trás que podemos e devemos refletir toda vez que o assunto vier à tona.

Antonio Gelfusa Junior é publicitário e editor-chefe das publicações impressas e online do Grupo Raiz.

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