No último dia 25 de março, o CADES – Conselho Regional de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Subprefeitura Aricanduva / Formosa / Carrão realizou mais uma reunião ordinária para discutir pautas ambientais da região. No entanto, o encontro foi marcado pela baixa participação popular e pela ausência de autoridades, levantando questionamentos sobre a efetividade e a divulgação das atividades do Conselho.
Os conselheiros presentes, Eder Francisco e Sônia Nogueira, iniciaram a reunião informando a possibilidade de prorrogação do atual mandato até dezembro deste ano, uma vez que o prazo vigente se encerraria em abril. A extensão, segundo eles, ocorre devido a dificuldades na promoção de novas eleições em curto prazo.
O subprefeito e presidente do CADES, Rafael Meira, não esteve presente. Em seu lugar, foi enviado o representante Dimas Oliveira. Também não compareceu nenhum outro assessor ou representante do gabinete. Nenhum vereador compareceu, sendo o assessor Expedito Lopes, único representante da vereadora Rute Costa. A ausência foi percebida como um fator que contribuiu para o esvaziamento da reunião, que contou com apenas seis participantes.
Córrego rapadura
Entre os principais temas debatidos, esteve a situação crítica do Córrego Rapadura, alvo frequente de denúncias devido ao acúmulo de lixo, esgoto a céu aberto e risco de desmoronamentos em áreas próximas. Segundo o conselheiro Éder Francisco, já foram apresentadas propostas para mitigar o problema, como a implantação de um duto para direcionar os resíduos a uma estação de tratamento. No entanto, entraves técnicos e territoriais impediram o avanço da solução.
O conselheiro também chamou a atenção para impactos ambientais decorrentes das obras de expansão da Linha 2-Verde do metrô, que, segundo ele, provocaram rachaduras em imóveis da região e ameaçaram a preservação de espécies de aves locais. “Alertamos sobre os riscos antes mesmo do avanço das obras, mas as providências só começaram a ser discutidas quando o problema já estava instalado”, afirmou.
Poda e tratamento de árvores
Outros temas incluíram a necessidade de poda e tratamento de árvores contra cupins na Zona Leste, além de iniciativas como o projeto “Floresta na Cidade”, que prevê o aumento do plantio de árvores em áreas públicas e privadas e o programa “Adote uma Praça”.
“A ideia do Floresta na Cidade, é propor que muitos moradores plantem árvores em frente às suas propriedades, mas, quando propomos isso, muitos moradores recusam, alegando problemas futuros com a poda ou a estrutura desses imóveis. Eu penso, que seria interessante contar com o poder público nesse sentido, para conceder incentivos e também um suporte na manutenção dessas árvores, porque a poda quando feita por quem entende, deixa a árvore mais bonita e mais segura à propriedade”, afirma o conselheiro Éder.
A reportagem deu a ideia de um projeto de lei, que pudesse garantir também descontos no IPTU, aos proprietários que aceitassem manter e cuidar de uma árvore na calçada de suas casas e prédios. Atualmente, o IPTU Verde – como é conhecido, já é praticado em Americana, Araraquara, Guarulhos e também na capital, para imóveis com áreas de vegetação arbórea declarada ou preservação permanente. O desconto pode chegar a 50% do valor tributado.
“A ideia é ótima, vou levar ao gabinete do subprefeito amanhã cedo, para ele tentar viabilizar com alguns vereadores”, afirmou o seu representante Dimas.
O programa “Adote uma Praça” que recentemente passou por uma modernização do seu sistema, permite um processo ágil onde a parceria com instituições privadas é estabelecida em até 10 dias. No total, 790 praças já foram adotadas, mas outras 4.500 espalhadas pelas áreas das 32 subprefeituras, aguardam uma “adoção”.
A parceria firmada, permite a instalação de placas informando quem zela pelo espaço público. A reportagem levantou a ideia de conceder também incentivos fiscais e outros benefícios, a fim de tornar a proposta mais atraente aos empresários e grandes comerciantes de São Paulo.
Interessados em adotar uma praça podem acessar o link: https://adocaopracas.prefeitura.sp.gov.br/pracas/home.html
“Eu acredito que se houvesse uma parceria mais forte entre o Poder Público e a Iniciativa Privada, esses espaços verdes seriam mais bem cuidados e aproveitados. E claro, a empresa ou ainda, a pessoa física responsável, poderia usar o espaço para divulgação, bem como criar espaços de leitura, aprendizado ao ar livre, dentre outras formas de engajamento com a própria marca. Seria uma ideia sustentável e bem interessante para a sociedade e a instituição”, afirmou a conselheira Sonia Nogueira.
Mais presença
Ao final, ficou evidente que, além dos desafios ambientais, o CADES enfrenta obstáculos relacionados à participação popular, à comunicação institucional e à presença do poder público – fatores que, juntos, comprometem o alcance e a efetividade das ações discutidas no Conselho. Algo que pode e deve melhorar.
É preciso que a população participe mais, que as autoridades frequentem mais, que as assessorias de imprensa divulguem mais todo esse trabalho, que pode melhorar a qualidade de vida em São Paulo. A população precisa conhecer mais o seu Cades local e comparecer para poder mais tarde, cobrar seus representantes locais tudo que precisam.
A próxima reunião do CADES – Aricanduva – Formosa e Carrão, acontecerá no dia 29/04, às 19h30, na sede da Subprefeitura, na rua Atucuri, nº 699, Vila Carrão.
Reportagem: Fernando Aires. Foto: Divulgação.
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