No dia 6 de março, o secretário municipal de Obras, Marcos Monteiro, ao lado de sua equipe técnica, apresentou no auditório do CEU Aricanduva, o projeto do BRT Aricanduva, um corredor de ônibus que ligará a Radial Leste, na altura do viaduto Eng. Alberto Badra, até o terminal de ônibus São Mateus.
“Este projeto nasceu há alguns anos e nessa gestão do prefeito Ricardo Nunes, conseguimos finalizá-lo. Este projeto é um pouco diferente, porque tem financiamento internacional e com isso, para que tenhamos os recursos, é necessário que atendamos a todos os requisitos exigidos pelo Banco, não apenas do ponto de vista técnico, mas também do social e do ambiental. Trata-se de uma obra importantíssima de mobilidade urbana e além desta, também estamos executando o BRT Radial Leste que começa lá no Parque D. Pedro e vai até um pouco depois do Aricanduva, próximo ao Metrô Penha. Esse BRT Radial Leste será interligado com essa obra do BRT Aricanduva, que por sua vez, começará na Radial Leste, indo até São Mateus”, explicou o secretário.
No auditório, também estavam presentes os 4 subprefeitos das regiões impactadas pelo projeto: Subprefeita Kátia Falcão (Penha); Subprefeito Rafael Meira (Aricanduva); Subprefeito Rafael Limonta (Itaquera) e Subprefeito Oziel Souza (São Mateus), além dos vereadores Gilson Barreto (MDB) e Sandra Tadeu (PL).
Questionado sobre o início das obras, o secretário afirmou: “É previsto maio, ocorre que uma das exigências do Banco Mundial foi a contratação de um engenheiro Fidic (Federação Internacional de Engenheiros Consultores), já contratado, e ele, como representante do Banco Mundial, é quem dá a ordem de serviço, para início das obras do BRT Aricanduva. Então, isso deve estar acontecendo nas próximas duas semanas, com serviços iniciais onde a empreiteira vai preparar o seu canteiro para começar”, concluiu.
“Todos nós ganhamos, eu digo sempre que uma obra dessas é pra Zona Leste, é pra nós e vai melhorar muito essa questão de mobilidade que temos na cidade. Essa obra que vai iniciar em maio, também vai exigir da gente muita paciência, eu tenho a obra lá da avenida Amador Bueno, que é a prova disso, mas eu sempre falo, que passado o transtorno que qualquer reforma traz, quem ganha somos nós”, falou a subprefeita Kátia Falcão.
“Esse momento é histórico, porque um dos grandes problemas da Zona Leste é justamente a mobilidade. Uma obra desse porte vai beneficiar milhões de pessoas e milhares de famílias, vai valorizar a região, vai trazer progresso, então, acho que temos muito a agradecer e acho, importante, valorizar o trabalho do prefeito Ricardo Nunes, que agilizou o projeto para a nossa Zona Leste”, disse o subprefeito Rafael Limonta.
“Eu acho que a clareza do processo é também muito importante. A transparência do projeto, para toda comunidade entender o BRT antes mesmo da obra começar, isso é muito importante, além da sua função de agilizar o trajeto. Por exemplo, da Subprefeitura para cá, eu levei 40 minutos, em um trajeto no BRT poderia ter chegado bem mais cedo. E não é tão longe, mas o trânsito é complicado”, explicou o subprefeito Rafael Meira.
“Esse projeto vai beneficiar ainda mais São Mateus, porque São Mateus já interliga o ABC, já faz conexão com a linha verde do metrô através do monotrilho, e agora essa extensão da Aricanduva. Trata-se de um ganho para a Zona Leste, um ganho para São Paulo e um ganho principalmente para São Mateus. Os comerciantes terão muito a ganhar em torno dessas regiões”, falou o subprefeito Oziel Souza.
O BRT Aricanduva
Com financiamento do Banco Mundial e investimento estimado em US$ 121 milhões, o empreendimento combina infraestrutura moderna, integração modal e impactos diretos na qualidade de vida da população. Passando pelos bairros do Carrão, Vila Matilde, Aricanduva, Cidade Líder, São Mateus, Parque do Carmo, São Rafael, Iguatemi, José Bonifácio e Cidade Tiradentes, 1,25 milhão de paulistanos serão diretamente beneficiados.
O corredor segue o padrão BRT – Bus Rapid Transit, com faixas exclusivas à esquerda da via, permitindo maior velocidade operacional e regularidade nos intervalos. Com 13,6 km de extensão, atravessa os bairros Aricanduva, Penha, Itaquera e São Mateus. Seu início será na Radial Leste, na avenida Conde de Frontin, seguindo por toda avenida Aricanduva e avenida Ragueb Chohfi. De acordo com o projeto, o BRT irá terminar na Praça Felisberto Fernandes da Silva, importante centro comercial da Zona Leste, em São Mateus.
Mobilidade e interligação
Ao longo de seu trajeto, o corredor fará conexões diretas com importantes linhas do sistema metroferroviário, incluindo as linhas 3-Vermelha e 15-Prata do Metrô, além das linhas 11-Coral e 12-Safira da CPTM. Além disso, o corredor também se conectará a outros projetos futuros, como o corredor Itaquera-Líder, a extensão da Linha 2-Verde do Metrô e claro, o BRT Radial Leste, que o próprio secretário mencionou.
No total, 290 mil passageiros por dia serão atendidos pelo BRT.
Execução das obras
A execução do BRT Aricanduva será dividida em quatro lotes, estratégia que visa otimizar o andamento das obras e permitir a execução simultânea em diferentes trechos. Veja abaixo:
Lote 1: Da Avenida Radial Leste à rua Astarte (2,85 km)
Consórcio DPE Aricanduva (DP Barros; Paulitec e Era Técnica), no valor de R$ 172,6 milhões
Lote 2: Da rua Astarte até a Avenida Marapanim (3,4km)
Consórcio DPE Aricanduva no valor de R$ 181,4 milhões
Lote 3: Da avenida Marapanim até a rua Vila Boa de Goiás (3,5 km)
Consórcio FAK Aricanduva (FBS, Kamilos e Casamax), no valor de R$ 161,2 milhões.
Lote 4: da rua Vila Boa de Goiás até a rua Felisberto Fernandes da Silva (3,9 km)
Consórcio SHA Mobilidade Aricanduva (Souza Compec, Heca e Arvek), no valor de R$ 131,4 milhões.
O corredor será totalmente construído em concreto armado, suportando maior peso dos veículos e possibilitando menor desgaste ao longo dos anos. Também terá um total de 46 estações, sendo 23 em cada sentido e a única estação bimodal, será a localizada no Aricanduva. Cada uma das estações terá 96 metros de comprimento, por cerca de 6 metros de largura, todas equipadas com banheiros, wi-fi, portas inteligentes que só abrem na presença do ônibus e sistemas de alarmes de incêndio com rotas de fuga.
A acessibilidade também é contemplada nas estações, com piso tátil, rampas e embarque em nível, além da implantação de Salas de Apoio Operacional em cada estação.
Desapropriações e impacto social
Um dos pontos mais sensíveis do projeto diz respeito às desapropriações necessárias para sua execução. De acordo com o Plano de Ação de Reassentamento, cerca de 44 imóveis serão afetados ao longo do trajeto, distribuídos em cinco áreas distintas.
Essas desapropriações são, em sua maioria, parciais e concentram-se em áreas próximas às futuras estações, onde é necessário ampliar o espaço. No total, 66 proprietários ou inquilinos e cerca de 182 pessoas serão diretamente impactados.
O projeto, contudo, prevê compensações financeiras baseadas no custo de reposição dos imóveis, conforme as diretrizes do Banco Mundial. Um decreto foi criado com exclusividade para atender também aos comerciantes, sendo que 5 já aderiram. O plano também inclui acompanhamento social, canais de comunicação com os moradores e programas de apoio.
Se cumpridas as expectativas, o corredor poderá se tornar um marco na transformação da mobilidade na Zona Leste, aproximando a região de um modelo mais eficiente, integrado e sustentável de transporte público.
Reportagem: Fernando Aires. Foto: Divulgação.
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