domingo, 14 de junho de 2026

Riformato permanece vendendo “sonhos” sem entregar obras

Nas últimas semanas, a redação não deixou de receber dezenas de relatos de consumidores apontando problemas envolvendo a Construtora Riformato, sediada no bairro do Carrão. As reclamações têm em comum o atraso na entrega de imóveis vendidos na planta, além da falta de informações sobre o andamento das obras.

Segundo os compradores, alguns empreendimentos apresentam atrasos superiores a dois anos. Em determinados casos, as obras sequer foram iniciadas ou encontram-se paralisadas há longos períodos.

“Sou de Itaquaquecetuba, moro em frente a obra e fui lesada. Está tudo abonado, os matos estão tomando conta da obra. Me sinto mal quando vejo, algo precisa ser feito!”, relata Ana Daniel Souza Costa. 

“Nunca mais na minha vida compro um imóvel com esta empresa. É um descaso total, o gerente riu na minha cara dizendo que se eu desfizesse o negócio perderia a entrada. Pura enganação, não façam negócio com a Riformato, procurem outra construtora. Fizeram de propósito, demoraram para fazer o financiamento para aumentar o valor do imóvel, depois alegaram que eu estava pagando evolução de obra… E o pior é que eu comprei o imóvel pronto, já tinha gente morando no prédio quando comprei”, afirma Kassia Lima.

Os clientes afirmam que, após assinarem os contratos e efetuarem os pagamentos previstos, passaram a enfrentar dificuldades para obter esclarecimentos da empresa sobre andamentos das obras e até mesmo sobre pagamentos e financiamentos. 

A reportagem tentou contato pelos canais divulgados pela construtora. O telefone fixo informado no site continua não atendendo às ligações e o número de celular disponível, acredite ou não, ainda direciona o atendimento para uma empresa de serviços de TV por assinatura e internet, sem relação aparente com a construtora.

De acordo com os relatos, o empresário Marcelo Riformato, apontado como responsável pelos empreendimentos, não tem respondido de forma consistente às solicitações dos compradores nem apresentado cronogramas atualizados para a conclusão das obras.

Sonho da casa própria transformado em preocupação
Outra cliente que afirma ter sido prejudicada é Rafaela Souza, que comprou uma unidade no empreendimento à rua São Marinho, no Anália Franco: “Apartamentos com 2 anos ou mais de atrasos, onde isso é construir sonhos? Riformato não entrega, não tem transparência, as obras estão atrasadas há meses e não dão retorno coerente da situação real da empresa. Fazem promessas várias e o CEO está patrocinando MISS, recebendo dinheiro dos moradores e enganado outros clientes. Essa é a construtora”. 

Outros empreendimentos citados pelos compradores

Entre os empreendimentos mencionados nas reclamações de consumidores estão:

  • Residencial Itaquá;
  • Residencial São Marinho;
  • Mix Tower Tatuapé;
  • Residencial Antonina II;
  • Residencial Guaraqueçaba II;
  • Sete de Setembro II;
  • Vila Antonieta II;
  • Passione IV.

O que prevê a legislação
Especialistas em direito do consumidor destacam que compradores de imóveis na planta possuem garantias previstas no Código de Defesa do Consumidor.

Código de defesa do consumidor
Entre os direitos assegurados estão o cumprimento da oferta anunciada e das condições estabelecidas em contrato. Em situações de atraso na entrega, o consumidor pode buscar medidas como indenização por perdas e danos, rescisão contratual com restituição dos valores pagos devidamente corrigidos ou, em determinadas circunstâncias, reparação por danos morais.

A legislação também estabelece o dever de transparência por parte das construtoras, incluindo a obrigação de fornecer informações claras sobre o andamento dos empreendimentos e cumprir os prazos assumidos.

O eventual descumprimento dessas obrigações pode resultar em ações judiciais individuais ou coletivas, além da atuação de órgãos de proteção e defesa do consumidor.

Diante do aumento das reclamações, grupos de compradores têm buscado orientação jurídica para avaliar medidas coletivas e tentar garantir a conclusão das obras ou a recuperação dos valores investidos. Enquanto aguardam respostas, muitos afirmam viver um cenário de incerteza em relação ao sonho da casa própria.

Reportagem: Fernando Aires. Foto: Divulgação.

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