domingo, 9 de agosto de 2026

Horta Urbana Belenzinho: uma parte do campo na Zona Leste de São Paulo

Muita gente que cruza São Paulo pela Radial Leste, não faz ideia dos muitos lugares que a cidade tem que são um contraponto à correria diária, ao trânsito, às pressões do dia a dia e do trabalho. Um desses lugares é a Horta Urbana Belenzinho, localizada entre as estações Tatuapé e Belém do Metrô, que acolhe uma importante iniciativa de educação ambiental e integração comunitária. 

Com cerca de 680 metros quadrados, a Horta Urbana do Belenzinho nasceu a partir de um termo de cooperação firmado entre a Sociedade Amigos do Belém (SAB), mantenedora do espaço, e a Prefeitura de São Paulo, com o objetivo de recuperar uma área degradada ao lado do viaduto Antônio de Paiva Monteiro. Com o tempo, tornou-se um ponto de encontro para moradores interessados em aprender sobre cultivo, sustentabilidade e preservação ambiental. Para tanto, conta com o auxílio de um bolsista da prefeitura para realização da manutenção do local e para esclarecer as dúvidas dos visitantes. A Prefeitura também oferece insumos e orientações técnicas.

O local abriga diversas espécies de plantas, árvores frutíferas e ervas medicinais. Adailton Alves de Souza, presidente da SAB, recebeu a reportagem e contou sobre a horta: “Esse espaço é da comunidade e reforça a ideia de pertencimento. Aqui, tudo é sustentável. A irrigação é feita com água da chuva, coletada por uma calha e que abastece a uma caixa d’água de 5 mil litros. A compostagem feita já fertiliza e fortalece todas as plantas. As pessoas podem vir aqui, plantar, colher, aprender, e assim também cultivar em suas casas e apartamentos, suas plantas favoritas”. Questionado sobre a sua planta favorita, Adailton não esconde: “Todas são maravilhosas, mas eu tenho um xodó por essa oliveira que está crescendo”.

Sônia Martinêz, educadora socioambiental e cogestora da Horta Urbana Belenzinho, ressalta a importância da comunidade visitar mais o espaço: “Muita gente ainda não sabe deste espaço, e é muito importante, porque aqui não fazemos apenas atividades voltadas à educação ambiental, como também temos um projeto chamado ‘Troca de Saberes’, onde nos sentamos ao ar livre e debatemos nossos conhecimentos a cerca de uma série de assuntos relevantes no nosso dia a dia. É muito gostoso, as pessoas saem daqui leves, rindo, recarregadas”, afirma.

Conhecendo um pouco a horta

Logo na entrada da horta, à direita, os visitantes encontram um espaço dedicado às plantas medicinais e aromáticas. Entre as espécies cultivadas estão lavanda, babosa, manjericão, boldo, cidreira, hortelã, mirra, guaco e capim-santo, plantas conhecidas tanto pelas propriedades terapêuticas quanto pelo uso culinário e na produção de chás e infusões.

À esquerda fica uma “central” de compostagem com reaproveitamento de cascas, verduras, borras de café, saquinhos de chá e pedaços pequenos de guardanapos, quase desfeitos de tanto uso. Com isso, a própria adubação da horta é realizada sem uso de química e nem agrotóxicos. 

Mais à frente, estão localizados os temperos e outros cultivos como pés de alface, couve, pimentão, pimenta, salsa, cebolinha, batata doce e outros. Curioso que enquanto algumas plantas já estavam prontas para colheita, outras ainda estavam nas sementeiras, criando raízes, esperando o momento de serem plantadas ao solo: “leva apenas alguns dias para isso, a alface por exemplo se desenvolve muito rápido”, afirma Sônia.

Mais ao canto, estavam duas plantas enormes, a Palmeira da Índia, originária do sul da Ásia e uma palmeira comum, ambas com uma copa robusta e vistosa. Mais ao centro, uma leguminosa bastante conhecida no nordeste: O feijão guandu, com uma flor amarela de que se destaca, próximo aos grãos. O feijão guandu é rico em proteínas e fibras além de que, suas raízes profundas fixam nitrogênio e melhoram a qualidade do solo.

A horta também tem uma videira que, na época adequada, já produz uvas. Plantas ornamentais como rosas, rosas do deserto, bico de papagaio, e claro, um pomar belíssimo com bananeiras, amoreiras, mamoeiro e muitas outras espécies que aguardam a visita do público. 

Atualmente, a Horta Urbana do Belenzinho permanece aberta à participação da população, funcionando regularmente de segunda à sexta-feira, das 7h às 13h. Não é preciso agendamento, basta comparecer ao local. 

Reportagem: Fernando Aires. Foto: Divulgação.

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