Em resposta às críticas sobre o projeto de ampliação do aterro sanitário da Central de Tratamento de Resíduos Leste (CTL), em São Mateus, a Ecourbis Ambiental afirma que a proposta segue todas as exigências da Cetesb e integra a política pública de gestão de resíduos da Prefeitura de São Paulo.
A concessionária sustenta que a expansão é necessária para garantir a destinação adequada das cerca de 7 mil toneladas de lixo geradas diariamente nas zonas sul e leste da capital, e nega riscos de contaminação do solo ou das águas.
O projeto prevê compensações ambientais, como o plantio de quatro mudas nativas para cada árvore removida, e aposta em novas tecnologias de aproveitamento energético e redução de gases de efeito estufa.
O estudo de impacto ambiental da ampliação do aterro CTL já foi concluído? Quais os principais impactos identificados e as medidas previstas para mitigá-los?
ECOURBIS: Sim. O Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-RIMA) foram elaborados e encaminhados para análise da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), órgão ambiental responsável pelo licenciamento.
O remanejamento arbóreo é o principal ponto das compensações ambientais. De acordo com o estudo, a Concessionária plantará em média quatro mudas de árvores nativas da Mata Atlântica para cada espécime que for retirado da área de ampliação, totalizando o plantio de mais de 240 mil árvores, preferencialmente na zona leste. No entanto, vale reforçar que todas as propostas serão validadas pela Cetesb e que todas as condicionantes da licença serão cumpridas com o devido rigor.
Não parece contraditório em meio à tanta preocupação com o meio ambiente, qualidade do ar e etc, a Ecourbis defender a ampliação do aterro em vez de trabalhar uma proposta que vise melhor destino dos resíduos sólidos? Existe, por exemplo, algum plano de investir em geração de energia a partir destes resíduos (waste-to-energy) na área da CTL?
ECOURBIS: O projeto de expansão do Aterro Sanitário Central de Tratamento de Resíduos Leste (CTL) faz parte de uma política pública estabelecida pela Prefeitura da Cidade de São Paulo, em atendimento ao Plano Nacional de Resíduos Sólidos (Planares), que tem como objetivo a redução dos resíduos domiciliares dispostos em seu aterro sanitário.
A preocupação e a implementação de medidas efetivas para melhorar a qualidade do meio ambiente, e consequentemente da população, sempre foi e permanece sendo prioridade para a Ecourbis, que conta inclusive com um viveiro próprio, por meio do qual já cultivou e plantou mais de 360 mil mudas nativas da Mata Atlântica visando a captura de CO2.
É importante destacar que o Aterro Sanitário Central de Tratamento de Resíduos Leste (CTL) recebe diariamente 7 mil toneladas de resíduos, em média.
Trata-se do lixo doméstico produzido nas residências de 7 milhões de pessoas que residem nas zonas sul e leste da cidade de São Paulo, e a CTL garante que todo o material tenha uma destinação final ambientalmente adequada.
Aterros sanitários são obras de engenharia eficazes e consagradas em todo o mundo como uma forma ambientalmente adequada de destinar os resíduos.
Mesmo com a adoção de outras rotas tecnológicas, como waste-to-energy – algo que está no plano de investimentos da Ecourbis –, que está licenciando uma unidade de Tratamento Mecânico e Biológico, a TMB, para converter resíduos orgânicos em Combustível Derivado de Resíduo, CDR verde, um combustível sustentável utilizado em cimenteiras em substituição ao coque de petróleo, os aterros sanitários continuarão sendo imprescindíveis, pois sempre haverá algum volume de rejeito que demandará disposição.
Vale reforçar que na própria operação da CTL já há recuperação energética, uma vez que o biogás gerado na decomposição dos resíduos é convertido em energia elétrica ou utilizado na produção de biometano, que é utilizado no abastecimento da frota de coleta, configurando um excelente modelo de economia circular. A cada caminhão abastecido com biometano, 35 mil litros de óleo diesel deixam de ser consumidos por ano, e a emissão de CO2 pode ser até 95% inferior à de um veículo movido a diesel.
Que lições a Ecourbis tirou dos 21 anos de operação do Aterro Sanitário CTL – Central de Tratamento de Resíduos Leste e como pretende aperfeiçoar a relação com os moradores nessa nova fase?
ECOURBIS: Ao longo de mais de duas décadas operando o aterro sanitário e convivendo de forma mais próxima com a população de São Mateus, mas também com todas as pessoas em sua área de atuação, nos certificamos de que respeito, transparência e interesse genuíno em fazer sempre mais e melhor é o caminho para construir e manter credibilidade. Desde 2004, quando a Concessionária foi criada, as portas de nossas unidades sempre estiveram abertas à população. Um sinal claro nesse sentido é o Programa Ver de Perto, que recebe visitas de estudantes, lideranças sociais, ONGs e outros movimentos que buscam informações de qualidade sobre educação e conscientização ambiental, através dos quais mais de 120 mil pessoas foram abrangidas diretamente.
Com o objetivo de atualizar a população de São Mateus e região sobre o processo de licenciamento ambiental para ampliação da CTL, a Ecourbis Ambiental convidou moradores da região – lideranças sociais – para uma apresentação sobre o projeto. O primeiro encontro foi realizado em 1º de outubro e novas reuniões estão sendo promovidas semanalmente.
A população do bairro, reclama constantemente do mau cheiro, da quantidade de insetos e pragas que se proliferam e ainda por cima, dos urubus que são atraídos mesmo quando não há carniça. O que a Ecourbis planeja fazer com relação a isso?
ECOURBIS: A Ecourbis Ambiental esclarece que todas as aproximadamente 7 mil toneladas de resíduos recebidas diariamente na Central de Tratamento Leste (CTL) são devidamente dispostas e recobertas com solo assim que são recebidas na frente de disposição. Por essa razão, o empreendimento funciona 24 horas por dia, garantindo a continuidade das operações e o controle ambiental adequado. O local conta com programas permanentes de controle da qualidade do ar e de vetores, que incluem o recobrimento diário dos resíduos, a compactação controlada, o monitoramento meteorológico e o uso de produtos neutralizadores, além de técnicas específicas para o afugentamento de aves e outros animais. Essas medidas asseguram uma redução significativa de odores e de atração de animais, embora, em situações pontuais, condições climáticas específicas — como ventos, temperatura e umidade — possam ocasionar a percepção momentânea de odores semelhantes aos que ocorrem em ambientes domésticos, onde resíduos são mantidos antes de sua disponibilização à coleta. A presença eventual de urubus em áreas próximas é natural e comum em zonas de disposição de resíduos, mas o recobrimento rápido e as ações de manejo ambiental mantêm o controle da fauna e evitam riscos à vizinhança. A CTL opera em conformidade com todas as normas da Cetesb e legislações ambientais vigentes, reafirmando o compromisso da Ecourbis Ambiental com a proteção do meio ambiente, a gestão responsável dos resíduos e o bem-estar das comunidades do entorno.
De que forma a Ecourbis mede e divulga os resultados de suas ações sustentáveis para o público e para os órgãos de controle?
ECOURBIS: A Ecourbis adota uma série de iniciativas para compartilhar informações de suas operações com a sociedade. Além de utilizar as suas redes sociais e site, periodicamente a Concessionária veicula na mídia local e veículos comunicação materiais de interesse público. Nossas mensagens também são transmitidas porta-a-porta através do time de educação ambiental e do Programa Ver de Perto, que recebe os munícipes nas instalações da empresa e conta com apresentações presenciais dos projetos.
A Ecourbis também está sempre presente em feiras e eventos com foco ambiental, contribuindo com palestras, stands para divulgação dos serviços e exposição de equipamentos sustentáveis, como os caminhões movidos a biometano e os quadriciclos elétricos utilizados na coleta em comunidades, como foi o caso do 67° Congresso dos Municípios, realizado no estádio do Pacaembu em agosto deste ano.
Todas as informações sobre as ações com foco em educação ambiental, dados sobre o volume de resíduos coletado, tanto comum quanto recicláveis, entre outras, são compartilhadas mensalmente com a SP Regula, a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Município de São Paulo, que fiscaliza o contrato de concessão.
Em 2025, a Ecourbis publicou o seu primeiro Relatório de Sustentabilidade, que trouxe um resumo de todo o trabalho realizado desde 2004, além das conquistas mais relevantes na área ambiental. O Relatório de Sustentabilidade será publicado anualmente.
A Cetesb solicita informações regularmente e realiza visitas periodicamente, que são utilizadas para classificar a CTL no Inventário Estadual de Resíduos Sólidos Urbanos no Estado de São Paulo, publicação anual que traz o Índice de Qualidade de Aterro de Resíduos – IQR. Nas duas últimas edições do Inventário, a CTL foi classificada com a nota 9,6, uma das altas, em uma escala que vai de 1 a 10.
Com a ampliação do aterro, há risco de contaminação do solo, do ar ou dos lençóis freáticos com a ampliação? Quais tecnologias serão adotadas para prevenir esses riscos?
ECOURBIS: Não há qualquer risco de contaminação do solo, águas ou ar. Antes de ter início a disposição de resíduos, toda a área é impermeabilizada com camadas de argila, geocomposto e mantas de PEAD (Polietileno de Alta Densidade), e ao longo da operação, são instalados drenos e sistemas de captação para retirar do aterro o biogás e o chorume. Todo o chorume passa por um pré-tratamento dentro da própria CTL que conta com uma moderna Estação de Tratamento de Efluentes e depois é encaminhado para a rede da Sabesp para ser tratado na ETE Parque Novo Mundo. O biogás, por sua vez, é tratado e transformado em energia elétrica e biometano, utilizado no abastecimento da frota de coleta. As medidas acima são conduzidas de acordo com as normas técnicas (ABNT), bem como outras que venham ser exigidas pelo órgão ambiental. A Cetesb acompanha todas as etapas, para garantir que a legislação seja cumprida integralmente.
O aterro ampliado terá alguma melhoria em termos de controle de gases de efeito estufa, como captação e aproveitamento de biogás?
ECOURBIS: Sim. O sistema de captação e aproveitamento de biogás já existente na Central de Tratamento Leste será mantido e continuamente aprimorado, garantindo a máxima eficiência na redução de emissões de gases de efeito estufa. O biogás captado é utilizado em processos de aproveitamento energético, incluindo a geração de energia elétrica e a purificação para transformação em biometano, combustível renovável utilizado na frota de coleta da própria concessionária.Quando houver eventual excedente de biogás não destinado à purificação ou à geração elétrica, o volume será direcionado para queima em flares de alta eficiência, com eliminação de metano superior a 99,9%, assegurando o controle ambiental e o atendimento aos mais rigorosos padrões técnicos internacionais.
Essas iniciativas, além de contribuírem diretamente para a mitigação das mudanças climáticas, geram créditos de carbono certificados, cujos benefícios econômicos são compartilhados com o Poder Concedente, promovendo a modicidade tarifária e a sustentabilidade financeira do sistema de limpeza urbana.
Quais serão as dimensões e a capacidade total da área ampliada, e por quanto tempo ela deverá prolongar a vida útil do aterro?
ECOURBIS: A dimensão e vida útil deverão ser definidas após análise do órgão ambiental.
Quanto à vida útil, as expectativas são de que ela seja estendida até 2050, considerando aí as novas tecnologias para tratamento e valorização dos resíduos que serão implementadas.
Quais novas tecnologias de triagem e reaproveitamento de resíduos estão sendo estudadas para alcançar a meta de desviar 70% dos resíduos dos aterros até 2040?
ECOURBIS: Um conjunto de novas tecnologias farão parte dos Ecoparques Sul e Leste.
Uma delas é a Unidade de Tratamento Mecânico Biológico (TMB), para separar materiais recicláveis da fração orgânica. Serão tratadas 550 mil toneladas de resíduos por ano, incrementando a economia circular e com valorização energética por meio da produção de CDR (Combustível Derivado de Resíduos). Outra novidade é a instalação de duas Unidades de Recuperação Energética (UREs), uma na zona sul e outra na zona leste. Cada uma irá tratar 1 mil toneladas de resíduos por dia e gerar cerca de 30MW de energia.
Como a Ecourbis pretende garantir que o aumento da operação não comprometa o equilíbrio ambiental da região de São Mateus?
ECOURBIS: A Ecourbis sempre incorporou e continuará incorporando as melhores e mais modernas práticas tanto na implantação quanto na operação do aterro, seguindo estritamente a legislação ambiental vigente e cumprindo fielmente as compensações ambientais requeridas e as condicionantes das licenças.
De que forma a empresa garante transparência sobre os impactos ambientais e o cumprimento das condicionantes impostas pela Cetesb?
ECOURBIS: A legislação e a fiscalização ambiental no Brasil, e em particular no estado de São Paulo, são bastante rígidas, podendo ser comparadas aos modelos adotados em todos os países desenvolvidos. A Cetesb acompanha de perto todas as etapas e as licenças de instalação e operação são expedidas apenas após o cumprimento de uma série de obrigações. Todo o projeto está disponível para consulta pública e seguirá o rito legal do licenciamento, contando com audiência pública e divulgação em mídia de massa.
Caso a ampliação do aterro não ocorra no prazo de até dois anos, qual é o “plano B” da Ecourbis?
ECOURBIS: A definição de alternativas em caso de não aprovação da ampliação será discutida em conjunto com a Prefeitura da Cidade de São Paulo, uma vez que a Central de Tratamento Leste (CTL) integra o modelo público de gestão dos resíduos sólidos urbanos do Município. A ampliação da CTL foi concebida para assegurar a continuidade da destinação ambientalmente adequada dos resíduos gerados na capital, conforme as diretrizes do Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos de São Paulo (PGIRS/2014).
Caso haja necessidade de reavaliação desta estratégia, as soluções serão analisadas tecnicamente em conjunto com o Poder Concedente, considerando aspectos ambientais, logísticos, econômicos e de sustentabilidade, de modo a garantir a prestação regular e segura do serviço essencial de destinação final de resíduos urbanos.
Reportagem: Fernando Aires. Foto: Divulgação.
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